PE: Secretaria de Saúde investiga doença que pode ser forma atípica de zika

A investigação desse tipo de doença exantemática (manchas vermelhas na pele) leva em consideração a hipótese de que possa ser uma forma atípica de zika, transmitida pelo Aedes aegypti (Foto: Pixabay)



Após dezenas de relatos de médicos das emergências de hospitais públicos e particulares de Pernambuco, especialmente do Recife, sobre casos de pacientes com doença exantemática ou rash (manchas vermelhas em uma região específica do corpo ou por toda a pele), a Secretaria Estadual de Saúde (SES) realizou reunião com um grupo de profissionais para iniciar a investigação do quadro, que não apresenta causa definida e tem acometido as crianças com maior frequência. O plano de ação inclui o monitoramento dos registros desses casos de rash, que pode ter relação com diversos agentes. “Entre as hipóteses, há aquelas que mais prevalecem e outras nem tanto. As suspeitas que predominam são o zika, os parvovírus e os enterovírus, mas outras possibilidades de diagnóstico também são consideradas, em mesma intensidade, na investigação”, avisa o diretor-geral de Controle de Doenças Transmissíveis da SES, George Dimech.

A discussão entre os especialistas organizada pela secretaria ocorreu na quarta-feira (7). A SES divulgou, na sexta-feira (9), uma nota técnica (documento que estabelece diretrizes, alerta e orienta os serviços assistenciais de saúde sobre ocorrência de eventos específicos) que propõe a realização de uma investigação epidemiológica padronizada. “A nota é importante porque norteará o que é possível ser feito para investigar os casos e esclarecerá sobre a realização de exames que darão o diagnóstico. Tudo indica que é um quadro viral, mas ainda é inespecífico”, frisa a infectopediatra Regina Coeli Ramos, do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), que tem acompanhado pacientes.
Os casos, segundo os médicos, são autolimitados (melhoram espontaneamente após alguns dias). “Os sintomas nos levam a pensar se pode ser considerada uma forma atípica de zika, o que pode ocorrer em um possível novo surto seguinte ao primeiro (de 2015)”, diz o clínico-geral Carlos Brito, integrante do Comitê Técnico de Arboviroses do Ministério da Saúde. Para o médico, o fato desse tipo de rash ser mais evidente nas crianças é explicado (levando em consideração a hipótese de ser um caso atípico de zika) por um fenômeno que ocorre no Brasil: as epidemias iniciais de arboviroses acometem mais os adultos do que a população infantil. Ou seja, num cenário de novo surto, as crianças são as que estão mais susceptíveis porque não adoeceram anteriormente – ou seja, não têm imunidade. “Isso aconteceu com dengue: primeiramente adoeceram com mais frequência os adultos e, em anos seguintes, o grupo pediátrico, abaixo dos 12 anos. Não tem uma explicação muito lógica, mas é o que tem ocorrido quando analisamos epidemiologicamente o histórico das epidemias de dengue”, acrescenta Brito.
A investigação conduzida pela SES já estruturou uma vigilância em algumas unidades de saúde. “Todos os pacientes sintomáticos (com rash que se assemelha ao quadro em investigação) desses serviços deverão ser notificados. Eles também passarão por coleta de amostra (de sangue) para realização de exames laboratoriais”, destaca George Dimech. O perfil do paciente, a duração, a intensidade dos sintomas também serão considerados. “Vamos fazer um resgate dos casos que já foram percebidos pelos clínicos, estruturar uma vigilância para as notificações serem feitas (de forma sistematizada) e para as amostras de exames serem enviadas ao laboratório.” A SES reforça que não sabe quanto tempo deve durar a análise dos casos. “Ainda é cedo para prever a conclusão da investigação”, conclui George.

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