Sport tem mostrado faro bom para contratar volantes e dificuldade para formá-los

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Campanhas à parte, o Sport, nos últimos quatro anos tem tido a felicidade de dar visibilidade a uma das posições mais valorizadas no futebol atual: volante. Nome aliás, que já deveria ter sido substituído há algum tempo por meio-campista. Afinal, de essencialmente marcadora, a função alçou um patamar que demanda o maior domínio de fundamentos. Rithely entre 2015 e 2016, Patrick e Anselmo no ano passado e Jair este ano são os atletas que, ao vestirem a camisa vermelha e preta ganharam oportunidades para mostrar seus predicados. Por outro lado, na hora de ‘fabricar’ esses jogadores o clube tem falhado em conseguir firmá-los: Ronaldo, Thallyson e Fabrício são os exemplos.

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O desempenho ascendente de Jair, principalmente após a chegada do técnico Milton Mendes, já fez muito torcedor apontar o atleta do Internacional como sucessor de Anselmo, que trocou o Leão pelo Al-Wheda antes do jogo contra o Atlético-PR, no primeiro turno do Brasileirão. Eficiente no desarme e letal quando foi ao ataque, o jogador de 24 anos lembrou que chegou sem muito cartaz porque estava num clube de Série B (Juventude).
“Eu vim desacreditado por estar num clube de Série B, mas sempre mantive os pés no chão. Tinha na minha cabeça que queria jogar e ajudar o Sport a sair dessa situação. Já era para ter vindo em 2016, mas o Internacional (dono de seus direitos federativos) não me liberou. Mas tudo tem seu tempo e hoje posso estar aqui ajudando e estou muito feliz por isso”, pontuou.
Num ano de escassez para os atacantes rubro-negros foram os volantes os responsáveis pelos poucos momentos de felicidade dos leoninos em 2018. O já citado Anselmo, que assim como Jair, também era do Internacional, ainda é o artilheiro do time na temporada, com sete gols, mesma quantidade do meia Marlone, que ainda está integrado ao elenco.
No ano passado, o Sport apostou em dois jogadores vindos do Goiás, o lateral-esquerdo Sander e o volante Patrick – que o então técnico Vanderlei Luxemburgo insistia também ser lateral. Ambos aprovaram, tanto que Sander ainda está na Ilha. Patrick foi tão bem que despertou o interesse do Internacional, onde é titularíssimo, já tendo atuado 44 vezes e marcado oito gols.
Por fim, chegamos a Rithely, que chegou ao clube aos 21 anos em 2011 e construiu uma sólida carreira no Leão, com 334 jogos e 29 gols. Em 2016 o Sport chegou a ser sondado pela CBF para uma possível convocação – que não chegou a se concretizar. Depois de muita negociação e estranhamento, o volante foi emprestado ao Internacional. Mas, machucado, não jogou pelo time gaúcho.

Santos de casa sem milagre

Se tem acertado na hora de contratar, o mesmo não se pode dizer do Sport na hora de formar. Nas categorias de base os volantes se destacam, conquistam títulos, mas quando chegam ao profissional não conseguem manter o mesmo futebol. Quem mais chegou perto foi Ronaldo, lançado no final de 2013. Mesmo com quatro temporadas seguidas não conseguiu ser titular absoluto. Hoje, está no Criciúma.
Neto Moura foi lançado em 2015 no melhor momento do Sport no Brasileirão daquele ano. Mas não conseguiu manter o ritmo no ano seguinte e terminou emprestado ao América Mineiro em 2017 para a disputa da Série B, onde também não brilhou. Terminou voltando para a Ilha no início deste e teve a maior parte das oportunidades com Nelsinho Baptista, mas as oscilações o fizeram ser apenas uma das opções no banco.
No ano passado, os técnicos Ney Franco e Vanderlei Luxemburgo apostaram em dois volantes vindo da base. O primeiro lançou Fabrício numa fogueira: o jogo da volta pelas quartas de final da Copa do Nordeste, contra o Campinense. Tranquilo, o jovem passou com louvor, inclusive convertendo uma das penalidades na disputa que classificou os rubro-negros. Foi ainda melhor no chocolante sobre o Danúbio (URU) pela Copa Sul-Americana ao marcar um golaço de falta. Mas ficou por aí mesmo. Sem a velocidade necessária para a posição perdeu espaço e terminou emprestado para o Oeste. Voltou esse ano, mas não conseguiu se firmar. Foi cedido ao Guarani.
No Brasileirão, Luxemburgo colocou suas fichas em Thallyson, um volante menos cadenciado e mais condutor de bola, a quem chegou a apelidar de ‘Paulinho’, comparando-o ao volante da seleção brasileira, com quem via semelhanças. O jogador teve apenas lampejos, marcando um belo gol na derrota para o Corinthians, no Itaquerão. Este ano fez apenas seis partidas pelo Sport antes de ser emprestado para o Boa Esporte.

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