Viúva e filho de médico morto tentaram destruir provas, afirma a Justiça






Provas colhidas pela Polícia Civil revelam a suspeita de que a viúva e o filho mais velho do médico Denirson Paes da Silva, 54, assassinado em Aldeia, tentaram destruir provas do crime para atrapalhar as investigações. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (27) no Diário de Justiça Eletrônico, que também traz novos detalhes da denúncia contra os acusados.

“Os denunciados tentaram obstruir os resultados das perícias, porque usaram cloro de forma excessiva no local em que foi feito a perícia com luminol e também no local onde o corpo foi esquartejado. Acrescente-se ainda que os acusados ainda podem por em risco a instrução penal, uma vez que houve uma rasura de um documento atribuída à acusada Jussara, visando a confundir a investigação criminal. Por fim, como terceiro motivo que os denunciados podem obstacularizar a instrução criminal, verifica-se uma relação de hierarquia entre os denunciados e as testemunhas que, ou são empregados da família, ou são membros da família, como é o caso de Daniel, filho de Jussara e irmão de Danilo”, afirmou a juíza Marília Falcone Gomes, da Comarca de Camaragibe, para justificar os motivos da prisão preventiva dos acusados.

A decisão é do dia 31 de agosto deste ano, mas só foi revelada nesta quinta-feira (27), porque o processo estava em segredo de Justiça.

Outro detalhe da investigação, ainda não revelado, é sobre uma conversa entre o médico e a empregada doméstica da residência. Ele teria revelado que iria se separar e que ela iria trabalhar na nova casa dele. As informações, colhidas pela polícia, também foram anexadas à decisão judicial sobre a prisão preventiva:


“Ocorre que, em virtude do seu relacionamento afetivo com (outra mulher), o denunciado estava se separando da primeira denunciada, deixaria o lar e residiria no apartamento de sua propriedade. No dia 29 (de maio), chegou a conversar com a empregada doméstica do casal e ajustar os dias de trabalho da mesma na sua nova residência. Por não aceitar o término do relacionamento, bem como, em virtude de interesse patrimonial, os denunciados se uniram para, na madrugada do dia 30 para 31 (de maio), sem que a vítima jamais esperasse tamanha agressão, matarem-na mediante asfixia por esganadura. Após atingir o intento criminoso, os denunciados promoveram o esquartejamento do corpo e conduziram-no até a cacimba, lançando-o ao fundo, na tentativa de ocultá-lo e impedir que o crime fosse elucidado.”

INVESTIGAÇÕES

A farmacêutica Jussara Rodrigues da Silva Paes, viúva do médico, e o engenheiro Danilo Rodrigues Paes, filho do casal, viraram réus, em 31 de agosto deste ano, por homicídio triplamente qualificado e por ocultação de cadáver. Eles continuam presos. No início deste mês, Jussara prestou novo depoimento e afirmou que cometeu o crime sozinha. Uma reprodução simulada foi realizada, com a presença dos réus, mas o resultado ainda não foi divulgado. No entanto, a polícia diz acreditar que a mulher não teria condições de praticar o crime sem ajuda de ninguém.

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