Filho de médico morto em Aldeia enviou áudio fazendo apelo para a mãe




Durante interrogatório no Centro de Observação e Triagem (Cotel), em Abreu e Lima, o engenheiro Danilo Rodrigues Paes, suspeito de matar o pai, o médico Denirson Paes da Silva, 54, pediu à delegada Carmen Lúcia para enviar um áudio para a mãe. O rapaz fez um apelo para que a farmacêutica Jussara Rodrigues Silva Paes, também suspeita do crime, contasse a verdade para a polícia.
“Por favor, mãe, acaba com isso pelo amor de Deus, e me ajuda. Eu imploro. A senhora sabe que eu não participei de nada”, disse Danilo.
A transcrição do áudio consta na conclusão do inquérito que investigou a morte do médico, cujo corpo foi encontrado dentro de um poço em um condomínio de luxo onde a família vivia, em Aldeia. Jussara e Danilo foram indiciados pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e por ocultação de cadáver. Eles estão presos temporariamente, mas a Delegacia de Camaragibe já solicitou à Justiça a prisão preventiva dos suspeitos.
Para a delegada Carmen Lúcia, o áudio enviado por Danilo deixou “nas entrelinhas que ambos têm conhecimento do fato”. A delegada destaca ainda que levou o áudio para Jussara na Colônia Penal Feminina, mas que a mesma se negou a ouvir o conteúdo enviado pelo filho do casal.
RELACIONAMENTO EXTRACONJUGAL
Nesta sexta-feira (31), a Polícia Civil de Pernambuco realiza uma coletiva de imprensa para dar mais detalhes sobre a conclusão das investigações. Uma das novas informações é que o médico mantinha um relacionamento extraconjugal há cinco anos ininterruptos. A Polícia Civil confirmou o fato por meio de fotos íntimas encontradas no notebook da vítima. A mulher envolvida com Denirson prestou depoimento e confirmou tudo.
Segundo a polícia, o fim do casamento entre Jussara e o médico, além de questões financeiras e o relacionamento extraconjugal foram determinantes para a prática do crime.
Na conclusão do inquérito, os investigadores da Delegacia de Camaragibe pontuaram que o assassinato com requintes de crueldade foi praticado apenas por Jussara e por Danilo. Os policiais descartaram que uma terceira pessoa tenha participado do crime, como foi cogitado na época em que os restos mortais foram encontrados dentro de um poço, em 4 de julho deste ano.
Entre as provas colhidas pela Polícia Civil para concluir as investigações, houve a quebra de sigilo de dados do telefone de Jussara e de Danilo. A autorização foi dada pela juíza Marília Falcone Gomes, da Comarca de Camaragibe. A defesa dos suspeitos também solicitou acesso a esse conteúdo.
A perícia do Instituto de Criminalística apontou, na semana passada, que o médico foi morto com uma pancada na cabeça seguida de esganadura. A informação sobre as lesões no crânio da vítima, que deram início à dinâmica do assassinato, foi antecipada pelo Ronda JC.

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