Cine Sesi em nova temporada do Sertão ao Litoral

Flagrante de uma exibição do Cine Sesi em Palmeiras dos Índios, em Alagoas / Chico Barros/Divulgação



A equipe do Cine Sesi, encabeçada pela múltipla Lina Rosa Vieira, curadora e idealizadora do projeto, começa nesta sexta-feira (31/8) uma nova temporada da ação que leva cinema para onde o povo está. Nesta 12ª temporada em terras pernambucanas, a 17ª da história do Cine Sesi, a caravana passa por 44 municípios. São quase seis meses na estrada – tirando apenas os dias de recesso, por causa das eleições e das festas de final de ano –, em duas rotas que cortam o Estado do Litoral ao Sertão, da Zona da Mata ao Agreste, levando na bagagem curtas e longas-metragens para uma população que há muito tempo – ou nunca mesmo – teve a experiência de ver um filme numa tela grande.
“No começo eu ia para todas as cidades, mas o projeto cresceu muito e hoje temos uma equipe muito preparada, com produtores culturais que acompanham cada sessão. Eu me sinto responsável porque muitas dessas sessões podem ser a única para aquelas pessoas. Meu sonho é que essas cidades possam ter salas permanentes. Afinal, são de 1, 5 a 3 mil pessoas que vão assistir aos filmes em praça pública. A iniciativa privada e o Estado precisam dialogar para ter as salas de cinema de volta, para que esse projeto não exista mais”, assevera Lina Rosa.
Nessa dúzia de anos, o Cine Sesi já passou por 117 cidades e atingiu um público estimado em 1 milhão de pessoas. Ao todo, o projeto já teve cerca de 5,2 milhões de espectadores em suas exibições ambulantes por 700 municípios de 12 Estados brasileiros. Esses números estratosféricos estão sempre aumentado a cada ano, tendo praças e pátios transformadas em cinema ao livre, com milhares de pessoas de olhos grudados na tela, rindo, se emocionando e comendo pipoca, sem pagarem nada, apenas tendo o esforço de sair de casa e se deixarem levar pelas escolhas de Lina Rosa, com títulos que levantam questões e abrem discussões positivas.
“Geralmente, escolho filmes brasileiros, mas este ano não encontrei uma animação nacional que se adequasse à curadoria. Pelo menos, foi dirigido por brasileiro. Mas os outros dois longas – Pequeno Segredo e O Filho Eterno – trazem questões que podem ser discutidas após a sessão e também em escolas. Em outra cidade, este filme motivou que um casal adotasse uma criança Down”, relembra a curadora, afirmando, ainda, que as sessões, ao ocupar espaços públicos, permitem a apropriação deles para reuniões e encontros. “Muitos desses espaços estão esquecidos e só são ocupados por manifestações religiosas e políticas. Levar cultura para esses lugares, por meio de filmes, propicia que essa população pense melhor sobre a política e a própria religião”, assegura.

NOVOS MUNICÍPIOS

As sessões começam por Ouricuri e Santa Terezinha, no Sertão, com a apresentação de três longas-metragens e três curtas, de hoje até domingo. Dos 44 municípios pernambucanos que vão receber a trupe do Cine Sesi, com sua tela de 70m², 15 deles são estreantes no projeto. São eles: Cedro, Cortês, Cumaru, Iguaraci, Itamaracá, Itambé, Itaquitinga, Jaqueira, Lagoa do Ouro, Macaparana, Machados, Maraial, Moreno, Sairé e São José da Coroa Grande.
“Em cada uma delas, um carro de som percorre as ruas convidando as pessoas. A experiência que o cinema traz para elas é de uma dimensão que não se compara nem de longe ao se assistir à TV. Dependendo do lugar e das circunstâncias, as sessões são inesquecíveis. Em Palmeiras do Índios, por exemplo, a estrutura foi montada em cima dos trilhos por onde passava o trem que levou o escritor Graciliano Ramos para o Rio”, recorda a idealizadora do Cine Sesi.

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