'Ele dizia que não tinha vida tranquila', relata pai de médico morto

Denirson pretendia se separar da esposa e se mudar para um apartamento que já estava até mobiliado / Foto: Reprodução/Facebook



Da pequena cidade de Campo Alegre de Lourdes, na Bahia, Francisco Ferreira, 79 anos, acompanha com apreensão e surpresa o desenrolar das investigações do assassinato do seu filho Denirson Paes da Silva. Por causa da idade avançada, membros da família impediram o aposentado de vir a Pernambuco. Por telefone, Francisco conversou com os repórteres Isa Maria, Gabriel Dias e Mariana Barros.
Quando o senhor começou a achar estranho a falta de notícias de Denirson? 
FRANCISCO FERREIRA  – A gente conversava bastante todos os dias, tínhamos o costume de usar o Facebook e o WhatsApp. A nossa última conversa acredito que ocorreu dia 29 ou 30 de maio. Percebi que ele não curtia mais, não emitia opinião, não compartilhava nada. Depois de uns quatro dias, passei uma mensagem perguntando se ele estava viajando, devido à ausência dele. A essa pergunta não tive resposta.

Chegou a perguntar à nora se tinha notícias dele? 
FRANCISCO – Transcorreu uns dez, onze dias, minha filha que mora em Petrolina me ligou e disse que ia para o Recife porque Jussara estava em desespero e pediu a companhia dela. Contou que Denirson ia viajar para Miami no dia 2 e voltaria no dia 10. Chegou dia 10, não apareceu, dia 11, não apareceu. Quando minha filha chegou e conversamos novamente, ouvi o choro de Jussara. Passou o telefone para a esposa dele, aí me contou que eles tinham programado uma viagem a Miami. Depois, Jussara falou que não poderia ir porque Danilo tinha adoecido. Segundo ela, ele tinha decidido viajar só. Quando se aproximou o dia da viagem, bem cedo, Denirson passou a chave do carro e um cartão de crédito para Jussara usar até o fim do mês com limite de R$ 5 mil. Ele iria a um hotel próximo ao aeroporto e pegaria um taxi.
Os dias se passaram sem notícias dele. Até que alguém aconselhou Jussara a fazer um Boletim de Ocorrência (B.O). Ela até relutou, disse que não era bom fazer B.O porque ele era um médico influente na cidade, poderia repercutir mal. Mas o filho menor de idade disse: não, mãe, se você não fizer o B.O, eu faço. Então, resolveu registar o B.O. Quando a polícia entrou no caso investigou os dois filhos, foi no aeroporto e confirmou que Denirson não viajou. Jussara foi junto com minha filha a um apartamento que ele tinha comprado, já estava mobiliado. Lá, encontraram a valise de trabalho dele que tinha uma quantia em reais, outra quantia em dólar e o passaporte dele.

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